O sangue da aspersão – Você sabe o que é?

Texto do nosso irmão Fagner Fortunato

À época da chegada dos exemplares da primeira impressão do Livro nº. 5 do nosso hinário, “Hinos de Louvores e Súplicas a Deus”, o que mais pôde ser visto foram as críticas. Melodias e poesias novas foram alvos de grande indignação e alguma tentativa de refutação, sobretudo na internet.

Irmãos e irmãs, certos de que são exemplares instrumentistas de música erudita cristã, atreveram-se a mergulhar em indevidas críticas quanto às alterações musicais ocorridas nas partituras dos hinos. Estes mesmos que se aventuraram, em geral, aprenderam a prática e a teoria musical dentro das chamadas “Escolinhas Musicais” que se realizam dentro dos recintos da Congregação Cristã no Brasil de cada localidade. Estas mesmas, apesar da recente tentativa da Comissão Musical, acabam por não serem suficientes para a instrução profissional e aprofundada dos conceitos musicais, já que esta não é a finalidade. Aprende-se o intrinsecamente necessário para a execução dos hinos nos santos cultos.

Mais ousadamente, pudemos acompanhar algumas críticas infundadas quanto ao teor poético dos hinos. A maioria dos críticos orienta-se apenas pelo que se aprende nos púlpitos da Congregação, com uma educação bíblico-cristã advinda de uma metodologia bastante questionável: os recitativos – pequenos pedaços de papel que são entregues aos jovens e crianças com a finalidade de que decorem versos da Bíblia. Sabemos bem que o ato de decorar não é o mais indicado para o aprendizado, pois não leva a uma reflexão crítica do texto e não permite ao leitor considerar fatores contextuais. Mas, mesmo assim, com todo esse (des)preparo, aventuraram-se a fazer críticas e, até mesmo, afirmar que poesias estavam erradas se vistas sob a ótica da Palavra de Deus contida na Bíblia Sagrada.

Dentre muitas que pudemos acompanhar pela internet, lembro de ter visto uma que me chamou bastante a atenção de uma nossa irmã, a qual disse que, na compilação desta nova edição do hinário, faltou-se a Luz de Deus aos irmãos integrantes da Comissão Musical e que, usando-se do já batido discurso, “o homem pôs a mão na Obra.” A crítica dessa nossa irmã consistia em sua indignação ao Hino 400 – Divina Fonte é Jesus.

“Divina Fonte é Jesus, de purificação,
Pois, sobre a cruz, por nós verteu o sangue da aspersão;
E nesse sangue tem perdão quem n’Ele crer e se entregar
E, com sincero coração, Seu santo Nome confessar.”

Para nossa irmã, era indignante que contivesse a expressão “sangue da aspersão” e pedia que, quem pudesse, entrassem em contato com a Comissão Musical afim de que, nas próximas impressões, trouxessem a expressão corrigida para “sangue da expiação.” Com base nisso, vamos às considerações:

Do ponto de vista musical, a irmã, que também é organista, vacilou. “SAN-gue da_as-per-SÃO” se encaixa perfeitamente aos tempos fortes e fracos da melodia. Em contrapartida, “SAN-gue da_ex-PIÁ-ção” fica com uma métrica errada, enfatizando a junção de sílabas “PIÁ”, como se a palavra se lesse “expiáção”.

Já sob a ótica poética, podemos ver que o “sangue da aspersão” está embasado pelo que se lê na Epístola do Apóstolo Paulo aos Hebreus, no capítulo 12, a partir do verso 22, onde se lê:

“Mas chegastes (…) a Jesus, Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor que o de Abel.”

O sangue de Abel, inocente morto por seu irmão Caim, clamou ao Senhor, como se lê:

“Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu o guarda do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a Mim desde a terra.” (Gênesis 4:9-10).

De uma forma absolutamente única, porém, brada a Deus a voz do sangue de Cristo, de quem Abel, na sua inocência, é figura profética. Eis o sangue da aspersão.Esse sangue é símbolo e sinal prefigurador dos sacrifícios da Antiga Aliança, com os quais Deus exprimia a vontade de comunicar a Sua vida aos homens, purificando-os e consagrando-os.

“Então tomou Moisés aquele sangue, e aspergiu-o sobre o povo e disse: Eis aqui o sangue do pacto que o Senhor tem feito convosco no tocante a todas as coisas.” (Êxodo 24:8).

Agora em Cristo, tudo isso se cumpre e realiza: d’Ele é o sangue da aspersão que redime, purifica e salva; é o sangue do Mediador da Nova Aliança, “derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mateus 26, 28). Este sangue, “fala melhor” do que o sangue de Abel, exprime e exige uma justiça (ou justificação) mais profunda, e sobretudo implora misericórdia. Torna-se, junto do Pai, intercessão pelos irmãos, e é fonte de perfeita redenção e dom de vida nova.

É, enfim, do sangue de Cristo que todos os homens recebem a força para se empenharem a favor da vida. Precisamente esse sangue é o motivo mais forte de esperança, é o fundamento da certeza absoluta de que, segundo o desígnio de Deus, a vitória será da vida. “Nunca mais haverá morte”, exclama a voz poderosa que sai do trono de Deus na Jerusalém celestial (Ap 21, 4). E Deus, conforme escreveu Paulo, assegura-nos que a vitória atual sobre o pecado é sinal e antecipação da vitória definitiva sobre a morte, quando se cumprirá o que está escrito: “A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (I Cor 15, 54-55).

De fato, a expressão “sangue da expiação” não é errada, visto que “Só o sangue precioso e expiador, / Que Jesus derramou sobre a cruz, / É aceito pelo nosso Criador / Para se receber graça e luz.” No entanto, “sangue da aspersão” também é correta, e não contradiz a Palavra de Deus.

Tenho notado que há entre a nossa irmandade uma capacidade crítica muito mais clara e evidente, pela qual muitos buscam motivos para questionarem diversos tópicos. Isso pode ser bom ou ruim. Da forma que vem sendo, influenciada por grupos minoritários que dividem a irmandade e também sem nenhum embasamento bíblico convincente, é prejudicial. Criam-se grupos que estão prontos a rebaterem as atitudes do ministério central da Congregação, desmoralizando-os e não os considerando “em duplicada honra”, como recomenda a Palavra.
Muitos são imbuídos de verdadeiros e sinceros sentimentos e indignações, embora não tenham conhecimento da Palavra de Deus. Dessa forma, deveriam primeiro informar-se, inteirar-se sobre o assunto, antes de contestarem com veemência, fazendo afirmações graves em um espaço público como a internet.

Eu, autor desse texto, também não sou músico profissional e tenho muito mais a aprender do que a ensinar sobre a Palavra de Deus, mas antes de levantar quaisquer contendas, prefiro me informar e me esclarecer para que possa, instruir a mim e aos que me leem, encaminhando-os à verdade do Evangelho, a Graça de Deus, chamada Cristo Jesus.

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