#PensouORE

Vocês já devem ter visto um viner conhecido no meio cristão, sobretudo entre a mocidade da Congregação, chamado Hudny. Um cara super gente boa, sempre de bem com a vida, e com uma positividade incrível. Se nunca viu, dê uma busca no YouTube ou Facebook e se divirta.

Ele lançou uma campanha #PensouFAZ muito bacana, convidando todo mundo a correr atrás daquilo que tem por objetivo na vida, seja um melhor emprego, meia hora de lazer, mais qualidade de vida, ou qualquer outra coisa. Entrando na onda, a gente resolveu escrever e propor um outro desafio: #PensouORE.

Pensou? Ore! Simples assim. Pensou naquele crush que você está afim? Ore! Pensou naquele emprego dos sonhos? Ore! Pensou naquela moça bonita que você viu na igreja e não sabe nem quem é? Ore! Pensou em qualquer outra coisa que seu coração deseja? Ore!

Quando o Hudny propõe o #PensouFAZ, ele propõe que você faça alguma coisa, não fique esperando cair do céu. E isso é exatamente o que nós propomos com o #PensouORE. Oração é a ação de orar. Então ORE!

Um dia Jesus Cristo ensinou que temos o dever de orar sempre e nunca desfalecer.

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. (Mateus 7:7,8)

Mas saiba orar, saiba pedir. Seja humilde ao pedir a Deus. Derrame o seu coração sobre Ele, se entregue. Lembre que se você pede e não recebe, você talvez não esteja pedindo bem:

Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. (Tiago 4:3)

Mas se você está pedindo com sinceridade de coração, aguarde. Se não vier, é porque Deus tem coisa melhor na sua vida e está guardando a sua alma para a vida eterna. Às vezes, até a melhor intenção pode ter um final trágico. Confie: Deus sabe o melhor pra cada um.

Afinal, o que é a Graça?

A Graça Maravilhosa do Filho de Deus não é placa de igreja, não é título de denominação. A Graça é o favor imerecido que recebemos de Deus, através de Cristo Jesus, Seu Filho, enviado ao mundo, puro, inocente, sem pecado, para nos remir de nossas iniquidades e transgressões.

Na Epístola aos Efésios, no capítulo 2, o apóstolo Paulo explica um pouquinho melhor a respeito disso:


“E vos VIVIFICOU, estando vós MORTOS em ofensas e pecados. Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como os outros também.”


No trecho acima, pudemos ler que nós estávamos MORTOS nos nossos pecados, e não tínhamos nada para sermos redimidos perante Deus, não tínhamos nenhuma sequer virtude que pudesse nos livrar e já éramos filhos da ira de Deus, como os outros que ainda não foram agraciados por Ele também são. Mas, eis que, não tendo nenhum merecimento, a Graça nos alcança:


“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo Seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça, pela Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.”


Ou seja, Deus, pela Sua infinita bondade e magnânimo amor, nos alcançou, por Sua Graça, em Cristo Jesus, e nos tornou a vivificar n’Ele, e ressuscitar por Ele. Jesus Cristo é a Graça!


“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé…”


Vemos aqui a clara explicação de que Jesus Cristo é a Graça. Somente por Ele podemos ser salvos. Se não fosse Ele, jamais seríamos. Estaríamos ainda mortos em nossas ofensas e pecados. Somos salvos por Ele, por intermédio da fé, visto que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6) e que todo o que crer [ter fé] e for batizado, será salvo (Marcos 16:16). E Paulo complementa:


“(…) E isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura Sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”


Por fim, entendemos claramente que se não fosse a Graça de Deus ter-nos alcançado, jamais teríamos conseguido obtê-la, porque isso não vem de nós, mas é dom de Deus. Deus nos agraciou com Jesus Cristo, em Quem cremos e no Qual fomos batizados para perdão de nossas ofensas e pecados. (Atos 2:38)

Nenhuma obra nossa seria capaz de alcançar o favor do Senhor, nenhuma! Justamente para que ninguém se glorie… A glória toda é de Deus! Fomos feitos novas criaturas perante Ele, em Cristo Jesus, para novidade de vida, fazendo-nos caminhar em boas obras como resultado da irresistível Graça de Deus, não tendo as obras como meio para obtê-la.

Louvado seja Deus por esta tão maravilhosa, sublime, excelente e inefável Graça ter-nos alcançado mesmo que estivéssemos mortos em ofensas e pecados.

“Debaixo do sol tudo é vaidade”

Autor: Murilo Nascimento / Revisão: Joaquim Avelino Júnior

Recentemente, deparei-me com uma cena que seria engraçada, se não enojasse: algumas pessoas completamente alteradas em uma página do Facebook, pelo simples fato de verem a fotografia da irmã Anna Spina Finotti – conhecidíssima na Congregação Cristã no Brasil – usando um colar, aparentemente, de pérolas. O mais interessante nisto é que muitas das pessoas indignadas com a foto estavam muito mais ataviadas que a própria irmã Anna. Ao visualizar os perfis das que criticavam, encontrei mulheres portando brincos e pinturas exageradas ou até mesmo (faço questão de citar) com o cabelo alisado (na marra) e pintado.

Não sou adepto do tão descontextualizado “Não julgueis”, dito por Jesus no Sermão da Montanha, aliás, isto daria outro texto, explicando corretamente o que Jesus queria dizer ali. Porém, a hipocrisia arraigada em nosso meio muito me enoja. Pouco me importa o que fulano traz no pescoço ou no pulso, pois como humano e errante, estou sujeito às mesmas fraquezas do meu próximo, inclusive a vacilar e até mesmo a cair. O mesmo preço que foi pago pela alma dele foi pago também pela minha, por isso ambos prestaremos contas ao Senhor. Não uso o hino 260 (“Sou servo inútil, ó Deus piedoso”) como amuleto depois das besteiras que cometo, mas procuro sempre servir e buscar a DEUS na porçãozinha que Ele me concedeu.

Cabe a mim, recolher-me cada dia mais à minha insignificância, fazendo-me mais dependente da Graça e Misericórdia de DEUS; tendo cuidado da minha própria vida, a fim de deixar toda a prática do mal; e lembrando-me do que foi escrito pelo apóstolo Paulo:

“Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia” (I Co 10:12).

Afinal, já diziam os antigos: Quem tem telhado de vidro, não joga pedra na casa alheia.

Devemos amar-nos com sincero amor

Há quanto tempo você é batizado? E você sabe o que vai acontecer quando Jesus Cristo retornar do céu? Quero saber o que você sabe sobre esse dia glorioso e de tudo que vai acontecer.

Vem cá, vai, que eu acho que você vai ter preguiça de pensar sobre isso. Afinal, você tem tanta coisa pra fazer, não é verdade? Deixa para pensar nisso quando Ele estiver voltando, aí dá pra criar uma expectativa com o frio na barriga de ver o Senhor descer em nuvens… Bom, deixa eu te falar o que vai acontecer:

E quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono da Sua glória; e todas as nações serão reunidas diante d’Ele. (Mateus 25:31-32a)

Você consegue imaginar que coisa mais linda?! Jesus Cristo, o Verbo, a Palavra, o Deus conosco, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, vai manifestar a nós toda a Sua glória, e majestade, e império, e formosura, e luz. E veremos não só a Ele, mas também a todos os santos anjos.

Dá para projetar na sua mente como será inefável o retorno do Senhor? Ele voltará circundado de esplendor e “Se assentará no trono da Sua glória”. E todos os povos, nações e línguas estarão reunidas perante Ele. Que coisa mais sublime!

E apartará uns dos outros como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à Sua direita, mas os bodes à esquerda. (Mateus 25:32b-33)

Está vendo só?! De repente, nada mais que de repente, Ele mesmo, vai separar os bodes das ovelhas naquele dia. Claro que não diz respeito a bodes nem ovelhas de verdade. O Senhor é o NOSSO Pastor. Logo, ovelhas e bodes, neste contexto, somos nós, homens e mulheres. Sabemos que o Pastor pastoreia as ovelhas, então já sabemos também que os que estarão à Sua direita são o Seu povo, já os bodes, vocês já sabem, né…

Então dirá o Rei aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo…” (Mateus 25:34)

Muitos já suspiraram por lerem este versículo… Realmente, imaginar o Senhor, com voz de Arcanjo, dizendo aos Seus para adentrarem ao gozo de seu Senhor, é tocante.

Mas o que você precisa saber é o que consta nos versos seguintes.

“(…) Porque tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-Me; estava nu, e vestistes-Me; adoeci, e visitastes-Me; estive na prisão, e fostes ver-Me.” (Mateus 25:35-36)

Leia novamente. Perceba que entre os versos 34 e 35 há uma palavra: “PORQUE”. Quem frequentou as aulas de Língua Portuguesa (acho que todos, afinal, como então estariam lendo este texto?) sabe que o “porque” está explicando, esclarecendo, justificando a afirmação anterior. Ou seja: o Senhor dirá o “Vinde, benditos…” às Suas ovelhas PELO MOTIVO QUE quando teve fome, deu-Lhe de comer, etc.

É, parece que está ficando complicado… Mas fique em paz. Os justos, naquele último dia, também ficarão confusos, afinal, como poderiam vestir o Senhor, e dar-Lhe de comer e beber, e visitá-Lo?

Então os justos Lhe responderão, dizendo: “Senhor, quando Te vimos com fome, e Te demos de comer? Ou com sede, e Te demos de beber? E quando Te vimos estrangeiro, e Te hospedamos? Ou nu, e Te vestimos? E quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-Te?” E, respondendo o Rei, lhes dirá: “Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes.” (Mateus 25:37-40)

Aqui você “mata a charada”. É onde eu queria chegar.

Qual era o motivo dos justos serem convidados a desfrutarem do reino preparado pelo Senhor desde a fundação do mundo? Tê-Lo vestido, dado de comer, de beber, etc. E como isso é possível, se o Senhor não está mais entre nós em matéria corpórea? Fácil: Caridade! Essa Caridade que é a mesma que é sofredora, benigna, que tudo crê, espera e suporta, e nada espera em troca. Essa Caridade que conduz à perfeição. Nela está o vínculo da perfeição. E isso não é jargão, não é clichê, é a Verdade. Jesus Cristo é o Deus Filho, componente da Trindade. E Deus é Amor, e Amor é Caridade.

Cristo nos ensinou a amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. Se, de fato, nos amamos mutuamente, estamos manifestando Cristo a eles, e eles estão mostrando-se Cristo a nós. Se fizemos o bem aos nossos irmãos sem nada esperar em troca, sem fazer disso uma barganha com Deus, cumprimos a eterna Caridade.

Então dirá também aos que estivem à Sua esquerda: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; porque tive fome, e não Me destes de comer, tive sede, e não Me destes de beber; sendo estrangeiro, não Me recolhestes; estando nu, não Me vestistes; e enfermo, e na prisão, e não Me visitastes.” Então eles também Lhe responderão, dizendo: “Senhor, quando Te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não Te servimos?” Então lhes responderá, dizendo: “Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a Mim.” E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. (Mateus 25:41-46)

Estes bodes à esquerda estarão entregues à punição eterna, não porque não tinham fé, mas porque “aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17).

Quando a Graça do Filho de Deus nos alcança, por intermédio da fé, dom de Deus, tendo crido n’Ele, somos selados com o Espírito Santo para a eterna redenção. E este Espírito produz, em nós, virtudes essenciais, verdadeiros frutos de evidência de Sua plenitude, a saber: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gálatas 5:22)

As boas obras evidenciam a presença do Espírito Santo.

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: “Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos;” e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: “Tu tens a fé e eu tenho as obras”: mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus: fazes bem: Também os demônios o creem, e estremecem. (…) Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta. (Tiago 2:14-20, 26)

Alguns, ainda querendo safar-se de se classificarem como bodes, ainda dizem têm boas obras: “não uso isso”, “não faço aquilo”. E o alegam para dizer que suas obras justificam uma fé viva. Aqueles que procedem assim, afirmando para si ou para os outros que fazem ou não fazem determinadas coisas para entrar no céu, mas que não são Cristo aos próprios irmãos, falam de Deus, mas seus corações estão longe d’Ele. É preciso entender que por estas obras, de devoção voluntária, não virá a salvação. Não adianta você não usar um adorno, mas aborrecer o seu próprio irmão, difamá-lo, destratá-lo, não amá-lo.

As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne. (Colossenses 2:23)

A Caridade não espera nada em troca, com ela não se barganha, não se negocia.

Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: “Senhor, Senhor!” entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu Nome? E em Teu Nome não expulsamos demônios? E em Teu Nome não fizemos muitas maravilhas?” Então lhes direi abertamente: “Nunca vos conheci: apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7: 23)

Quando dissertou sobre a Caridade, o apóstolo Paulo disse que todos os dons cessariam. Só permaneceria a virtude perenal que é a Caridade. E assim entendemos melhor o trecho acima. Muitos bodes, naquele dia, alegarão que fizeram muitas proezas e desfrutaram muito em Nome do Senhor… Mas nunca foram conhecidos d’Ele.

Sendo assim, que possamos ser, a cada dia, Cristo aos homens, e entender somente que amando-os e respeitando-os como o fazemos a Cristo seremos capazes de alcançar a incorruptível coroa de glória e ouvir o glorioso “Vinde!”.

A Palavra cantada: o canto congregacional

No fatídico 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero, então monge católico, afixou na porta do templo da Igreja Católica Apostólica Romana da cidade de Wittenberg, na Alemanha, noventa e cinco teses protestando contra a Igreja, sugerindo e exigindo uma reforma organizacional e dogmática na mesma. A atitude de Lutero culminou em sua excomunhão da Igreja, bem como também desencadeou a Contrarreforma Católica, que perseguiu os demais protestantes, mas que não foi capaz para impedir a expansão do Protestantismo na Europa. Um dos legados mais importantes e notórios da Reforma Protestante foi o acesso dos cristãos à Bíblia, que passou a ser traduzida em diversos idiomas e propagada através da ascensão da imprensa.

Em 2008, produzida pela BBC Open University, foi exibida uma série de documentários sobre a Música Sacra, que incluía, entre outros títulos, um sobre a influência da “Revolução Gótica” e um outro sobre “Bach e o legado luterano”. Neste último, podemos ver que o canto congregacional passa a ser inserido na liturgia cristã protestante através da Reforma Protestante iniciada por Martinho. “Lutero redefiniu o papel do canto congregacional, até mesmo a parte tocada pelo órgão dentro da adoração cristã; permitir que a congregação cante cânticos em sua própria língua é uma tradição muito significante estabelecida por ele. (…) No centro do pensamento de Lutero estava sua crença que, ao menos aos olhos de Deus, membros da congregação e do clero não eram diferentes. Apesar de qualquer Igreja Católica, na maioria das vezes, o clero cantar e a congregação ouvir, as ideias de Lutero sobre o papel da música na igreja eram bem diferentes. De acordo com a doutrina de Lutero, todo mundo tinha acesso igual a Deus, portanto todos podiam louvar através da música. Então, ele introduziu o conceito do canto congregacional.” O canto congregacional consiste em uma modalidade de canto em que todos os presentes na congregação cantam, em uníssono, o louvor a Deus, sem destaques individuais.

É de composição de Lutero a melodia e a poesia do famoso hino “Ein feste Burg ist unser Gott”, datado de 1529, traduzido para o inglês como “A mighty fortress is our God”. Muito conhecido no meio cristão brasileiro como “Castelo Forte” ou “Castelo Forte é o nosso Deus”. Na Congregação Cristã no Brasil, trata-se do “Hino 31 – Forte Rocha”, que sofreu uma significativa alteração em relação a sua versão anterior “Hino 381 – Forte Rocha”, deixando de ter uma estrofe inteira sob a alegação de possuir versos que causavam estranheza ao serem entoados, além de ser ambíguos: “Ao mandado do Eterno / Fugirá o rei do inferno”. A versão utilizada pela CCB foi traduzida em 1932 pelos anciães João Finotti e Miguel Oliva.

Na contramão da tendência atual da maioria das igrejas, a Congregação Cristã no Brasil (doravante “CCB”) se mantém, ainda hoje, incentivando e admitindo unicamente a música cristã tradicional e o canto congregacional através dos sacros hinos como meio de louvor e adoração em seus serviços divinos e cultos. Em geral compostas por norte-americanos e europeus, que variam desde a Idade Média até meados do século XX, os hinos que integram o hinário “Hinos de Louvores e Súplicas a Deus” são eruditos, clássicos, executados unicamente pelas orquestras compostas de homens músicos, mulheres organistas e também mulheres musicistas, em alguns países. As orquestras são dividas por localidade, de acordo com a necessidade de cada congregação, e possuem uma metodologia própria e unificada de ensino-aprendizagem através da recém-lançada segunda edição do “Método de Teoria e Solfejo – Com aplicação ao Hinário”, elaborado pela Comissão Musical da própria CCB, com referência de estudos mais aprofundados e já reconhecidos de teoria e solfejo musicais, como Paschoal Bona, Bohumil Med, Rafael Coelho Machado, dentre outros.

Martinho Lutero disse muito bem quando afirmou que:

 A teologia de uma igreja está nos hinos que canta.

Ele tinha razão. Quando uma igreja é verdadeira e realmente baseada na Palavra de Deus, seus hinos estarão de acordo e reproduzirão o conteúdo das Escrituras. O que fugir disso é doutrina humana, heresia, contrária à Verdade, que é Jesus Cristo, a Cabeça da Igreja. Pelas palavras cantadas por uma igreja podemos identificar a doutrina que professa, bem como também as doutrinas que, embora não professe, estão no inconsciente coletivo.

Com isso, é gratificante louvar a Deus com hinos, salmos e cânticos espirituais. Entre muitos que poderia mencionar, deixo aqui um hino que, após a alteração do Hinário nº 5, ficou perfeito: “Hino 166 – A graça inefável de Deus”. O apóstolo Paulo, quando escreveu aos coríntios, menciona que neles havia a excelente graça de Deus, a qual era um dom inefável. Aos cristãos de Éfeso, Paulo também escreveu:

Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Efésios 2:4-10

Hino 166 – A graça inefável de Deus

1. Se muitos soubessem que paz sem igual
Tem quem o perdão alcançou;
Por fé buscariam a graça eternal,
Iriam a Deus, que os amou.

A graça inefável de Deus,
Que veio por Cristo Jesus,
É dom excelente que leva aos céus,
Ao reino de glória e luz.

2. Se muitos soubessem que grande amor
Desfrutam os santos de Deus,
Iriam a Cristo Jesus, o Senhor,
Teriam herança nos céus.

3. Se muitos soubessem a glória que há
No reino que vamos herdar,
Creriam em Cristo, que vida nos dá,
Iriam o mal rejeitar.